Como Premiar Vendas sem Incentivar Negócios que Destroem a Margem

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Para uma PME portuguesa que utiliza ferramentas digitais ou acompanha temas relacionados com bpinetempresas, desenhar incentivos comerciais significa ligar aquilo que a empresa paga à equipa ao tipo de crescimento que realmente quer financiar

Um plano de prémios comerciais pode aumentar energia, foco e resultados. Também pode ensinar uma equipa, sem intenção, a procurar exatamente os negócios que mais prejudicam a empresa. Se o vendedor recebe apenas por faturação, um contrato grande com desconto excessivo pode parecer melhor do que uma venda menor e muito mais rentável. Se recebe apenas por margem, pode evitar oportunidades estratégicas. Para uma PME portuguesa que utiliza ferramentas digitais ou acompanha temas relacionados com bpinetempresas, desenhar incentivos comerciais significa ligar aquilo que a empresa paga à equipa ao tipo de crescimento que realmente quer financiar.

Vamos fazer uma experiência.

A mesma equipa comercial vai trabalhar durante um ano sob três planos de prémios diferentes.

Os vendedores são os mesmos.

Os clientes são os mesmos.

O mercado é o mesmo.

Só muda uma coisa:

aquilo que a empresa recompensa.

No final veremos que mudar a fórmula do prémio pode mudar silenciosamente toda a carteira de clientes.


PLANO VERMELHO

“Recebe 3% de tudo o que faturar”

É simples.

Fácil de explicar.

Fácil de calcular.

Um vendedor fecha:

100.000 €.

Prémio:

3.000 €.

Fecha:

500.000 €.

Prémio:

15.000 €.

A lógica parece perfeita.

Quanto mais a empresa vende, mais o vendedor recebe.

Os interesses parecem alinhados.

Até aparecerem duas propostas.


NEGÓCIO A

Receita:

200.000 €

Custos associados:

120.000 €.

Contribuição:

80.000 €.

Prémio comercial a 3%:

6.000 €.


NEGÓCIO B

Receita:

280.000 €

Mas exige:

desconto elevado,

muita personalização,

subcontratação,

e entrega urgente.

Custos associados:

240.000 €.

Contribuição:

40.000 €.

Prémio comercial:

8.400 €.

O vendedor recebe mais pelo Negócio B.

A empresa recebe muito menos valor económico.

Ninguém está a agir de má-fé.

O sistema simplesmente ensinou:

faturação maior = prémio maior.


O incentivo funciona exatamente como foi desenhado

Este é um princípio importante.

Se a empresa premia receita, a equipa procurará receita.

Se premia novos clientes, procurará novos clientes.

Se premia margem, procurará margem.

Se premia contratos anuais, dará atenção aos contratos anuais.

O problema raramente é o comportamento comercial.

O problema pode estar naquilo que a gestão decidiu transformar em recompensa.


O PLANO VERMELHO COMEÇA A ALTERAR AS NEGOCIAÇÕES

Cliente pede desconto de 8%.

O vendedor pensa:

“Mesmo com o desconto, o contrato fica maior do que qualquer outro deste mês.”

O prémio continua interessante.

Logo, existe incentivo pessoal para fechar.

A margem cedida pertence principalmente à empresa.

O prémio continua calculado sobre faturação.

Isto cria um desalinhamento.


Agora acrescentamos prazo de pagamento

Cliente A:

200.000 €.

Pagamento em 20 dias.

Cliente B:

280.000 €.

Pagamento em 90 dias.

O prémio do vendedor continua:

6.000 €

versus

8.400 €.

Mas a segunda venda exige que a empresa espere muito mais pelo dinheiro.

Talvez precise de financiar:

salários,

fornecedores,

e execução

durante esse período.

O plano comercial não vê nada disso.


PRIMEIRO RESULTADO DA EXPERIÊNCIA

Depois de um ano sob o Plano Vermelho:

Faturação:

subiu bastante.

Número de grandes contratos:

aumentou.

Descontos médios:

também aumentaram.

Margem percentual:

caiu.

Prazo médio de recebimento:

piorou.

A direção fica confusa.

“Os vendedores tiveram um excelente ano.”

Tiveram.

Segundo o sistema que receberam, desempenharam exatamente como esperado.


PLANO AZUL

A empresa altera a fórmula.

Agora o prémio depende apenas da contribuição gerada.

Por exemplo:

8% da margem de contribuição comercial.

Voltamos aos dois negócios.

Negócio A

Contribuição:

80.000 €.

Prémio:

6.400 €.

Negócio B

Contribuição:

40.000 €.

Prémio:

3.200 €.

Agora o vendedor prefere claramente o Negócio A.

O alinhamento melhorou.

Mas aparece outro problema.


O contrato de entrada

Um novo cliente oferece inicialmente apenas:

30.000 €.

Contribuição:

7.000 €.

Pouco interessante para o vendedor.

Mas existe potencial concreto para:

quatro localizações,

contrato nacional,

e subscrição anual.

O comercial pode precisar de investir muito tempo na primeira venda.

Sob um plano puramente baseado em margem imediata, talvez não lhe dê prioridade.

A empresa corrigiu um problema.

E criou outro.


Um indicador isolado raramente representa toda a estratégia

Receita é incompleta.

Margem também.

Número de clientes também.

Renovação também.

É por isso que planos de incentivos extremamente simples podem produzir comportamentos inesperados quando o negócio se torna mais complexo.

O desafio é manter a regra compreensível sem reduzir a estratégia a uma única variável.


PLANO VERDE

A direção tenta uma terceira abordagem.

O vendedor recebe prémio segundo três componentes.

50% — contribuição gerada

30% — receita recebida

20% — objetivos estratégicos

Agora precisamos de perceber o que cada parte está a fazer.


50%: CONTRIBUIÇÃO

Esta é a âncora económica.

Um contrato com boa margem tende a gerar maior recompensa.

Descontos excessivos reduzem o prémio.

Trabalho adicional previsto também influencia a economia.

O vendedor começa a perceber que preço e escopo importam tanto quanto o tamanho do contrato.


30%: RECEITA RECEBIDA

Não apenas faturada.

Recebida.

Isto cria uma pequena ligação entre vendas e qualidade do ciclo financeiro.

Mas precisa de ser utilizada com cuidado.

O vendedor não controla sozinho o comportamento de pagamento do cliente.

Também não deveria ser responsabilizado por falhas internas de faturação.

A empresa precisa de premiar apenas aquilo que a pessoa consegue razoavelmente influenciar.


Incentivo sobre aquilo que ninguém controla cria frustração

Imagine que o vendedor fechou:

boa margem,

cliente sólido,

condições corretas.

Depois a própria empresa envia a fatura com três semanas de atraso.

Seria injusto reduzir o prémio comercial por um problema administrativo fora do controlo do vendedor.

O plano precisa de separar:

responsabilidade

de

resultado final.

Caso contrário, deixa de motivar.


20%: OBJETIVOS ESTRATÉGICOS

Aqui entram elementos que podem mudar ao longo do ano.

Por exemplo:

novos clientes num segmento prioritário;

contratos recorrentes;

venda de determinada solução;

redução da concentração num único cliente;

expansão em contas existentes.

A empresa consegue orientar comportamento sem alterar completamente o plano base.


O PLANO VERDE ENTRA EM TESTE

Surge o Negócio C.

Receita:

150.000 €.

Margem:

excelente.

Pagamento:

30 dias.

Cliente:

novo segmento estratégico.

O negócio marca pontos nas três dimensões.

O vendedor tem forte incentivo para o procurar.

Excelente.

Depois chega o Negócio D.

Receita:

400.000 €.

Margem:

muito baixa.

Pagamento:

120 dias.

Cliente:

fora da estratégia principal.

Agora o tamanho já não domina a decisão.


O vendedor não precisa de rejeitar o Negócio D

Pode tentar melhorá-lo.

Por exemplo:

reduzir desconto,

alterar escopo,

negociar adiantamento,

ou criar compromisso de volume.

Isto é um dos benefícios mais interessantes de um bom incentivo.

Ele não serve apenas para escolher negócios.

Pode melhorar a forma como os negócios são negociados.


O plano de prémios começa a funcionar como formação financeira

Sem uma aula formal, os vendedores começam a perceber:

um prazo de 90 dias possui consequência;

uma personalização adicional possui custo;

um desconto altera margem;

receita recorrente pode possuir valor diferente;

determinados clientes são mais estratégicos.

A fórmula transforma conceitos financeiros em decisões quotidianas.


MAS O PLANO VERDE TAMBÉM PODE FALHAR

Quanto mais componentes adicionarmos, maior a complexidade.

Imagine:

12 indicadores.

Pesos diferentes.

Exceções.

Tabelas.

Multiplicadores.

Bónus adicionais.

No final do mês, o vendedor pergunta:

“Quanto vou receber se fechar esta proposta?”

E ninguém consegue responder rapidamente.

Nesse momento, o incentivo perde força comportamental.


Um prémio que ninguém entende é apenas uma surpresa salarial

Para influenciar decisões, a equipa precisa de conseguir prever aproximadamente:

“Se eu fizer X, acontece Y.”

Não precisa de calcular até ao último euro.

Mas a direção entre ação e recompensa deve ser clara.

Simplicidade tem valor.


A EMPRESA CRIA ENTÃO QUATRO TESTES

Antes de aprovar qualquer plano comercial, passa por quatro perguntas.


TESTE 1 — Se todos maximizarem este indicador, a empresa fica melhor?

Imagine que todos vendem o máximo possível com descontos.

Se isso prejudica margem, receita pura não pode ser o único indicador.

Agora imagine que todos procuram apenas margem máxima.

Talvez a empresa deixe de crescer.

Também existe problema.

O indicador precisa de continuar saudável quando perseguido intensamente.


TESTE 2 — A pessoa consegue influenciar o resultado?

Um vendedor consegue influenciar:

preço,

cliente,

negociação,

volume,

estrutura comercial.

Controla menos:

falha logística,

atraso administrativo,

ou problemas gerais de produção.

Quanto menor o controlo, menor deveria ser o peso individual daquele indicador.


TESTE 3 — Conseguimos medir sem discussão permanente?

Se cada prémio exige duas horas de debate sobre:

custos,

atribuição,

cliente,

e exceções,

o sistema torna-se pesado.

Dados precisam de ser suficientemente claros.


TESTE 4 — O incentivo continua saudável num mês extraordinário?

Imagine que entra um contrato enorme.

O prémio resultante continua economicamente aceitável para a empresa?

Se não, talvez existam:

limites,

escalões,

ou regras específicas

que precisam de ser definidos antes, não depois da venda.


O PROBLEMA DOS LIMITES DE PRÉMIO

Algumas empresas colocam um teto.

Depois acontece algo interessante.

O vendedor atinge o teto em outubro.

O que acontece às vendas de novembro e dezembro?

Se não existir recompensa adicional, pode desaparecer parte do incentivo.

Um teto protege custo.

Mas também pode reduzir motivação precisamente quando a equipa está a ter melhor desempenho.


Uma alternativa: escalões bem desenhados

Por exemplo:

até determinado resultado:

percentagem base.

Acima:

percentagem ajustada.

Ou um bónus adicional apenas se a empresa mantiver certas condições de margem.

O desenho depende do negócio.

O objetivo é evitar que exista um ponto em que fechar mais bons negócios deixe de ter qualquer benefício para a pessoa.


OUTRO PROBLEMA: O LIMIAR

Imagine:

Bónus de 10.000 € se atingir 1 milhão de faturação.

Resultado em dezembro:

980.000 €.

Surge um negócio de 30.000 euros com margem praticamente inexistente.

O vendedor pode ter enorme incentivo para aceitá-lo porque desbloqueia um bónus de 10.000.

A empresa talvez ganhe quase nada com a venda.

Este é um exemplo clássico de comportamento criado por um limiar brusco.


Um euro pode mudar demasiado a recompensa

Sempre que:

999.999 €

e

1.000.000 €

produzem remunerações radicalmente diferentes, existe incentivo para manipular timing ou aceitar negócios fracos perto da fronteira.

Planos mais graduais tendem a reduzir este efeito.


O PROBLEMA DA DATA

Imagine um contrato assinado em dezembro.

Trabalho começa em março.

Quando conta para o prémio?

Na assinatura?

Na faturação?

No recebimento?

Cada escolha muda comportamento.


Premiar na assinatura

Vantagem:

liga diretamente recompensa ao fecho.

Risco:

o vendedor pode receber antes de a qualidade económica da venda ser confirmada.


Premiar na faturação

Vantagem:

o negócio já avançou operacionalmente.

Risco:

o vendedor pode ter pouca influência sobre o calendário de entrega.


Premiar no recebimento

Vantagem:

forte alinhamento com caixa.

Risco:

pode atrasar demasiado a remuneração e atribuir ao vendedor fatores que não controla.


A solução pode ser dividir

Por exemplo:

parte na assinatura,

parte na faturação,

parte depois de determinado marco.

Assim, a empresa combina:

motivação imediata

com

qualidade posterior.

Não é adequado a todos os negócios.

Mas mostra que o momento do prémio também é uma ferramenta de desenho.


O VENDEDOR QUE HERDA UMA GRANDE CONTA

Outro problema.

Um comercial recebe uma carteira existente de:

1,5 milhões de euros.

Outro começa com:

200.000.

Se ambos recebem apenas sobre faturação, a comparação é injusta.

Talvez o primeiro esteja apenas a manter receita existente.

O segundo está a criar negócio novo.

A empresa precisa de decidir o que realmente pretende premiar.


NOVO NEGÓCIO E RETENÇÃO SÃO TRABALHOS DIFERENTES

Conquistar um cliente pode exigir:

prospeção,

propostas,

negociação.

Manter uma conta pode exigir:

relacionamento,

renovação,

expansão,

resolução de problemas.

Ambos têm valor.

Mas podem merecer métricas diferentes.


O plano comercial também influencia colaboração

Imagine que cada vendedor recebe apenas pelas próprias vendas.

Um colega pede ajuda numa oportunidade importante.

Apoiar significa perder duas horas que poderiam ser utilizadas na própria carteira.

O incentivo individual pode desencorajar colaboração.

Algumas empresas resolvem isto incluindo uma pequena componente:

de equipa,

de unidade,

ou de empresa.

Mas novamente:

equilíbrio.

Se toda a recompensa for coletiva, excelentes desempenhos individuais podem sentir-se pouco reconhecidos.


A MESMA VENDA PODE TER TRÊS AUTORES

Um profissional gera o lead.

Outro conduz a negociação.

Um especialista técnico fecha a solução.

Quem recebe o prémio?

Se a resposta não estiver clara, conflitos aparecem depois do sucesso.

Por isso, regras de atribuição precisam de existir antes das oportunidades.

Não no dia da comissão.


O PAPEL DOS DADOS

Para que incentivos ligados à qualidade financeira funcionem, a empresa precisa de informação suficientemente organizada.

Receita.

Descontos.

Custos diretamente relevantes.

Pagamento.

Renovação.

Tipo de cliente.

Ferramentas financeiras e operacionais podem ajudar a consolidar parte desta informação. Para gestores que consultam temas associados a bpinetempresas, a visibilidade sobre entradas e movimentos financeiros pode complementar os dados comerciais e mostrar se as vendas contratadas estão realmente a converter-se em dinheiro como esperado.

Mas medir tudo não é o objetivo.

O objetivo é medir aquilo que muda comportamento.


O PLANO NÃO DEVE MUDAR TODOS OS MESES

Se a equipa nunca sabe quais serão as regras do próximo trimestre, começa a desconfiar do sistema.

Pode parecer que a gestão altera critérios sempre que o prémio fica elevado.

Isso destrói confiança.

Regras precisam de estabilidade suficiente.

Alterações devem ser:

claras,

explicadas,

e normalmente aplicadas a períodos futuros.


MAS UM PLANO MAU NÃO DEVE FICAR INTOCÁVEL DURANTE CINCO ANOS

O mercado muda.

A estratégia muda.

Produtos mudam.

Uma empresa que antes precisava desesperadamente de crescimento pode passar a precisar de:

margem,

retenção,

ou diversificação.

O incentivo deve acompanhar a estratégia.

A revisão periódica faz sentido.

A manipulação retroativa, não.


COMO SABER SE O PLANO ATUAL ESTÁ A PRODUZIR EFEITOS ERRADOS?

Não é necessário começar pela fórmula.

Comece pelos comportamentos.

Os vendedores:

dão descontos demasiado cedo?

preferem grandes clientes pouco rentáveis?

evitam pequenos contratos estratégicos?

empurram negócios para o final do mês?

discutem quem “possui” cada cliente?

ignoram cobranças problemáticas?

vendem produtos fáceis em vez daqueles prioritários?

Se vários comportamentos aparecem, verifique aquilo que o sistema está a recompensar.


A PERGUNTA MAIS REVELADORA

Pergunte a um vendedor:

“Se tivesses duas oportunidades e só pudesses trabalhar numa, qual escolherias para maximizar o teu prémio?”

Depois compare com:

“Qual destas oportunidades a empresa preferia realmente ganhar?”

Se as respostas forem diferentes, existe desalinhamento.


UM EXEMPLO DE QUATRO NEGÓCIOS

A equipa recebe estas oportunidades:

Alfa

Receita elevada.

Margem baixa.

Pagamento lento.

Beta

Receita média.

Margem alta.

Pagamento rápido.

Gama

Receita pequena hoje.

Grande potencial estratégico.

Delta

Receita recorrente.

Margem média.

Boa retenção.

Que negócio recebe prioridade?

Depende da estratégia.

Mas o plano de prémios deveria produzir uma resposta semelhante àquela que a direção considera economicamente racional.


O PLANO VERMELHO ESCOLHERIA ALFA

Porque fatura mais.


O PLANO AZUL ESCOLHERIA BETA

Porque possui melhor contribuição imediata.


O PLANO VERDE PODERIA ESCOLHER BETA, GAMA OU DELTA

Dependendo dos pesos estratégicos.

Isto demonstra que não existe um “melhor plano” universal.

Existe um plano mais ou menos coerente com aquilo que a empresa pretende construir.


O PERIGO DE PREMIAR CRESCIMENTO SEM CAPACIDADE

Imagine que a equipa comercial duplica vendas.

Excelente.

Mas operações não consegue entregar.

A empresa começa a:

atrasar,

subcontratar caro,

e fazer horas extraordinárias.

A margem cai.

O comercial recebe prémio recorde.

Operações enfrenta o problema.

Isto pode criar conflito interno.


Em alguns negócios, capacidade precisa de entrar na conversa antes do incentivo

Não necessariamente na fórmula.

Pode existir uma regra operacional:

determinados volumes ou contratos exigem validação de capacidade.

Assim, a equipa não é incentivada a vender algo que a empresa não consegue entregar economicamente.


UM BOM PRÉMIO NÃO SUBSTITUI BOA GESTÃO

Mesmo o melhor sistema não consegue prever todas as situações.

Existirão:

contratos excepcionais,

clientes estratégicos,

negociações fora do padrão.

A empresa precisa de regras e julgamento.

O incentivo orienta.

Não decide sozinho.


O custo do prémio também precisa de entrar na economia da venda

Parece óbvio.

Mas imagine uma venda com:

contribuição antes de comissão:

10.000 €.

Prémio:

4.000 €.

Resta:

6.000 €.

Se a equipa analisa margem antes da comissão comercial, pode sobrestimar o valor real do negócio.

A remuneração variável é também um custo associado à geração daquela receita.


O vendedor deve conseguir ganhar muito quando a empresa ganha muito

Este princípio ajuda a avaliar o desenho.

Se um profissional cria:

excelente receita,

boa margem,

clientes saudáveis,

e crescimento estratégico,

um prémio elevado não deveria parecer um problema.

Idealmente, é sinal de que o sistema está a funcionar.

A preocupação surge quando:

o prémio cresce

e

o valor económico da empresa não acompanha.


A DIREÇÃO VOLTA AOS TRÊS PLANOS

Depois da experiência:

Plano Vermelho

Muito simples.

Excelente para acelerar faturação.

Fraco para proteger qualidade económica.

Plano Azul

Melhor alinhamento com margem.

Mas demasiado estreito para determinados objetivos estratégicos.

Plano Verde

Mais equilibrado.

Mas precisa de permanecer suficientemente simples para ser compreendido.

A empresa não copia nenhum exatamente.

Cria a sua própria versão.


A FÓRMULA FINAL CABE NUMA FRASE

A equipa deve ganhar mais quando consegue:

trazer receita que deixa boa contribuição, possui qualidade comercial e apoia as prioridades estratégicas da empresa.

Os indicadores existem apenas para transformar esta frase numa regra mensurável.

Esta ordem é importante.

Primeiro estratégia.

Depois fórmula.

Não o contrário.


SE A ESTRATÉGIA MUDAR, A PERGUNTA VOLTA

Suponha que no próximo ano a principal preocupação deixa de ser crescimento.

Agora é retenção.

Talvez parte do prémio passe a reconhecer renovações.

Depois a empresa quer reduzir dependência de um único setor.

Pode introduzir um incentivo específico para novos segmentos.

O sistema acompanha aquilo que a direção precisa de tornar mais importante.


CONCLUSÃO

Um plano de prémios comerciais não é apenas uma ferramenta de recursos humanos.

É uma peça da estratégia financeira.

Aquilo que a PME recompensa tende a receber mais atenção da equipa.

Se premia apenas faturação, pode receber muito volume com pouca margem.

Se premia apenas margem, pode perder oportunidades de crescimento.

Se cria demasiados indicadores, pode construir um sistema que ninguém compreende.

Para empresas portuguesas que utilizam ferramentas digitais e acompanham temas ligados a bpinetempresas, o desafio é combinar informação comercial e financeira para garantir que bons resultados para o vendedor também representam bons resultados para o negócio.

Antes de alterar percentagens, vale a pena perguntar:

Que tipo de venda queremos que a equipa escolha quando duas oportunidades competem pelo mesmo tempo?

A resposta deveria estar refletida no incentivo.

Porque uma equipa comercial não precisa apenas de saber quanto deve vender.

Precisa de perceber, através das próprias regras da empresa, que tipo de receita vale realmente a pena conquistar.

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